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Filamento flexível TPU: dureza Shore e qual impressora aguenta

Entenda a dureza Shore (85A, 95A, 98A...), o que dá pra imprimir com TPU e qual configuração de impressora realmente aguenta o material flexível.

11 min de leitura Atualizado em junho de 2026

O TPU é o filamento que transforma a impressora 3D numa pequena fábrica de peças flexíveis: capinhas de celular, rodinhas, vedações, juntas, suportes que dobram, pés antiderrapantes, brinquedos que amassam e voltam. É a porta de entrada para todo mundo que cansou de peça dura e quebradiça e quer algo que dobra, estica e absorve impacto — e ainda por cima resiste bem a óleo, graxa e abrasão.

Só que TPU tem fama (merecida) de ser chato de imprimir. A maioria dos travamentos, embolamentos e fios pendurados não vem do material em si, e sim de duas coisas que pouca gente entende antes de comprar: a dureza Shore do filamento e o tipo de extrusora da impressora. Acerte esses dois pontos e o TPU vira um dos materiais mais gratificantes de usar.

Neste guia a gente abre o TPU de verdade: o que significa aquele "95A" na embalagem, o que dá pra fabricar com cada dureza, por que direct drive faz tanta diferença, e o passo a passo de configuração para a sua primeira impressão flexível sair limpa. Quando for escolher qual rolo comprar, compare preço por quilo e frete real para o seu CEP no nosso ranking de melhores filamentos TPU.

O que é TPU (e por que ele é diferente)

TPU é a sigla de poliuretano termoplástico (em inglês, thermoplastic polyurethane). Na prática, é um plástico que se comporta como borracha: você consegue dobrar, esticar e torcer a peça, e ela volta ao formato original. É um dos materiais da família dos elastômeros termoplásticos (TPE) — você vai ver os termos TPE e TPU sendo usados quase como sinônimos, mas há uma diferença útil:

  • TPE é o nome guarda-chuva de todos os filamentos flexíveis. Tende a ser mais molenga e mais difícil de imprimir.
  • TPU é um tipo específico de TPE, geralmente mais firme, mais resistente à abrasão e bem mais fácil de imprimir. É de longe o flexível mais popular e o que você encontra com facilidade no Brasil.

Por isso, quando alguém fala "vou imprimir flexível", quase sempre está falando de TPU. As vantagens que fazem ele valer a pena:

  • Resistência a impacto absurda — em vez de quebrar, a peça absorve o golpe.
  • Boa resistência a óleo, graxa e produtos químicos — ótimo para peças mecânicas e automotivas.
  • Excelente resistência à abrasão — dura muito em peças que sofrem atrito.
  • Aderência e atrito altos — perfeito para pés antiderrapantes, pegadores e capas.

O ponto fraco principal é a velocidade de impressão: por ser flexível, o filamento não pode ser empurrado com força nem rápido demais, ou ele entorta dentro da extrusora em vez de descer pelo bico. É o material que mais exige paciência — e é exatamente aí que a dureza Shore e a impressora entram.

Dureza Shore: o número que mais importa (85A, 95A, 98A...)

Se você só for memorizar uma coisa deste guia, que seja esta: a dureza Shore define o quão mole ou firme a peça vai ser — e também o quão fácil ou difícil é imprimir aquele rolo.

A escala mais usada em TPU é a Shore A, que vai de mais mole para mais firme conforme o número sobe. Os valores típicos que você encontra à venda:

  • Shore 85A — bem molinho, tipo borracha de apagar mais firme. Dobra fácil, estica bastante.
  • Shore 90A–95A — o "meio-termo" mais vendido. Flexível de verdade, mas com firmeza suficiente para imprimir bem. É o ponto de partida recomendado.
  • Shore 95A–98A — flexível, mas já bem mais rígido; dobra com algum esforço.
  • Shore 60D / 64D (escala Shore D, para materiais mais duros) — quase semirrígido. Mais para peças que precisam só de um pouquinho de flexão e muita resistência.

Uma regra de ouro contraintuitiva: quanto mais mole o TPU (número menor), mais difícil de imprimir. Um 85A é molenga e tende a embolar na extrusora, exigindo direct drive e velocidade baixíssima. Um 95A se comporta quase como um plástico normal, perdoa mais erros e é o ideal para começar.

Um detalhe que confunde: marcas diferentes formulam o TPU de jeitos diferentes, então um "95A" de uma marca pode imprimir um pouco diferente do "95A" de outra. Use o número como guia de firmeza e dificuldade, não como garantia absoluta. Veja sempre a dureza informada na descrição de cada produto no nosso catálogo de filamentos.

Flexível pede impressora preparada

Tabela: qual dureza Shore para cada uso

Use esta tabela como ponto de partida para escolher a dureza certa antes de comprar. Lembrando: número menor = mais mole e mais difícil de imprimir; número maior = mais firme e mais fácil.

Dureza ShoreSensação na mãoBom paraFacilidade de imprimir
85ABem mole, dobra fácilVedações macias, juntas, peças que esticam muito, simulação de borracha moleDifícil (exige direct drive)
90AMole, ainda bem flexívelCapinhas de celular, pulseiras, brinquedos macios, amortecedoresMédia
95AFlexível com firmezaUso geral: capas, pés antiderrapantes, rodinhas, alças, suportes que dobramMais fácil (melhor p/ começar)
98AFirme, dobra com esforçoEngrenagens flexíveis, buchas, peças mecânicas que sofrem atritoMais fácil
60D–64DQuase rígidoPeças semirrígidas que só precisam de leve flexão, alta resistênciaFácil (parecido com PETG)

Resumo de bolso: se você está em dúvida e é sua primeira vez com flexível, comece com 95A. Ele cobre a grande maioria dos projetos do dia a dia e é o que menos dá dor de cabeça. Compare os rolos disponíveis e os preços por quilo no ranking de TPU do nosso comparador.

O que dá pra imprimir com TPU

O TPU brilha em tudo que precisa dobrar, vedar, agarrar ou amortecer impacto. Alguns dos usos mais comuns no Brasil:

  • Capinhas e cases para celular, controle, câmera — protegem de queda e ainda dão aderência na mão.
  • Pés e ponteiras antiderrapantes para móveis, eletrônicos e ferramentas.
  • Vedações, juntas e gaxetas — anéis e perfis que selam contra água, ar ou poeira.
  • Rodinhas e pneus para carrinhos RC, robôs e projetos de impressão. O atrito alto do TPU agarra superfícies lisas.
  • Pegadores, alças e empunhaduras mais confortáveis e que não escorregam.
  • Amortecedores e batentes — peças que absorvem vibração ou impacto.
  • Brinquedos flexíveis que amassam e voltam, sem risco de estilhaçar.
  • Peças automotivas e mecânicas como buchas, coxins e proteções — aqui a resistência a óleo e graxa pesa a favor.
  • Próteses, órteses e palmilhas em projetos faça-você-mesmo, pela combinação de leveza e flexão.

O que não é o forte do TPU: peças que precisam ser duras e dimensionalmente perfeitas (engrenagens rígidas, suportes estruturais) ou que vão pegar muito calor. Para isso, vale olhar PLA, PETG ou ABS — cada um com seu papel. O TPU é o especialista em flexibilidade, não o material para tudo.

Qual impressora aguenta TPU: direct drive x bowden

Aqui está o fator que mais determina se a sua experiência com TPU vai ser tranquila ou frustrante: o tipo de extrusora. Como o filamento flexível é mole, ele se comporta como um espaguete cru sendo empurrado por um canudo — se o caminho for longo ou tiver folga, ele dobra e entala em vez de descer pelo bico.

Direct drive (extrusora direta) — o motor que puxa o filamento fica em cima do bico, então o caminho que o filamento flexível percorre é curtíssimo. É o setup ideal para TPU, e praticamente obrigatório para durezas mais moles (85A–90A). Várias impressoras populares de hoje já vêm com direct drive de fábrica, como a família Bambu Lab A1/P1 e modelos mais novos da Creality.

Bowden — o motor fica longe do bico e empurra o filamento por dentro de um tubo (o tubo de PTFE). Funciona bem com PLA e PETG, mas com flexível o filamento tem espaço de sobra para entortar dentro do tubo. Dá para imprimir TPU em bowden? Dá — desde que você use TPU mais firme (95A ou mais), reduza muito a velocidade e capriche na calibração. TPU mole em bowden costuma ser receita para entupimento.

Resumindo a recomendação:

  • Direct drive → imprime praticamente qualquer dureza de TPU, inclusive os bem moles. Mais tranquilo.
  • Bowden → fique no 95A ou mais firme, vá devagar e tenha paciência.

Na dúvida sobre a sua máquina, confira o tipo de extrusora na ficha de cada modelo no nosso comparador de impressoras antes de comprar o rolo (ou a impressora).

Como imprimir TPU sem dor de cabeça

TPU não perdoa pressa, mas perdoa quem segue alguns cuidados. Os valores abaixo são faixas orientativas — a referência definitiva é sempre a embalagem do fabricante, então comece pelo que ele indica e ajuste a partir daí.

Temperatura de bico: geralmente entre 220 °C e 240 °C. Comece no meio da faixa e suba se notar falhas de extrusão.

Temperatura de mesa: algo em torno de 40 °C a 60 °C. TPU adere bem; muitas vezes nem precisa de cola, mas uma fina camada de cola bastão ajuda na remoção e protege a superfície.

Velocidade: este é o segredo. Vá devagar — algo entre 15 e 30 mm/s para começar. Quanto mais mole o TPU, mais lento. Ir rápido é a causa número um de embolamento e falha de extrusão.

Retração: reduza bastante (ou até desligue, em alguns casos). O filamento flexível se estica como elástico dentro da extrusora, então retração agressiva gera entupimento e falhas. Pouca retração e velocidade de retração baixa funcionam melhor; o preço é um pouco mais de fios pendurados (stringing), que você limpa depois.

Secagem — atenção redobrada no Brasil: TPU é muito higroscópico, ou seja, puxa umidade do ar com facilidade. Em cidade litorânea ou em época úmida, um rolo aberto pega água em poucos dias. TPU molhado solta estalos, faz bolhas, gera muito fio e deixa a superfície feia. Guarde em caixa hermética com sílica e, se já estiver úmido, seque antes de imprimir. Veja o passo a passo na nossa dica de TPU.

Outros ajustes que ajudam: mantenha o spool solto e desenrolando fácil (qualquer resistência o motor não vence), evite ângulos fechados no caminho do filamento e prefira começar com peças simples para pegar a mão antes de partir para projetos detalhados.

Perguntas frequentes

Qual dureza de TPU comprar para a primeira impressão?

Comece com 95A. É o melhor equilíbrio entre flexibilidade real e facilidade de imprimir: dobra de verdade, mas se comporta quase como um filamento normal e perdoa erros de calibração. Durezas mais moles (85A–90A) são mais flexíveis, porém bem mais difíceis e quase exigem extrusora direct drive. Veja as opções e os preços por quilo no ranking de TPU do nosso comparador.

Dá para imprimir TPU em impressora bowden?

Dá, com ressalvas. Em extrusora bowden (motor longe do bico, empurrando o filamento por um tubo) o flexível tende a entortar dentro do tubo. Use TPU mais firme (95A ou mais), reduza bastante a velocidade (15–25 mm/s) e calibre com paciência. TPU mole (85A–90A) em bowden costuma entupir — para esses, direct drive é praticamente obrigatório. Confira o tipo de extrusora da sua máquina no nosso comparador de impressoras.

O que significa Shore A e Shore D no TPU?

São escalas de dureza. A escala Shore A mede materiais flexíveis tipo borracha: quanto maior o número, mais firme (85A é molinho, 95A é flexível com firmeza, 98A é bem mais rígido). A escala Shore D mede materiais mais duros — um 60D já é quase semirrígido. Resumo: número menor = mais mole e mais difícil de imprimir; número maior = mais firme e mais fácil.

Por que meu TPU está soltando fios e estalando?

Quase sempre é umidade. TPU absorve água do ar com muita facilidade, e isso é comum no clima úmido brasileiro. Filamento molhado estala, faz bolhas e gera muito fio pendurado. A solução é secar o rolo antes de imprimir e guardá-lo em caixa hermética com sílica gel. Um pouco de stringing também pode vir da retração — em flexível, use retração baixa. Veja o passo a passo na nossa dica de TPU.

TPU é resistente? Aguenta peça mecânica?

Sim, é um dos materiais mais durões em impacto e abrasão. Em vez de quebrar, a peça absorve o golpe, e ele resiste bem a óleo e graxa — por isso é usado em buchas, coxins, vedações e peças automotivas. O que ele não é: um material rígido e dimensionalmente perfeito. Para engrenagens rígidas e estrutura, olhe PLA, PETG ou ABS no nosso guia de tipos de filamento.

Qual a velocidade ideal para imprimir TPU?

Devagar. Comece entre 15 e 30 mm/s, indo mais lento quanto mais mole for o TPU. Velocidade alta é a principal causa de embolamento e falha de extrusão em flexíveis, porque o filamento mole entorta na extrusora antes de descer pelo bico. Acerte a velocidade, a retração e a secagem, e o TPU vira um material tranquilo de usar.

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